RCP por telecomunicação

February 26, 2019

Os nossos serviços públicos e privados estão preparados para ensinar leigos via telefone a aplicarem RCP Só-Compressões? O questionamento é válido e vital! Vamos as considerações.

 

A RCP por telecomunicação demonstrou ser uma intervenção eficaz para melhorar as chances de sobrevivência por parada cardíaca fora do hospital. (por Michael Levy)

 

Reconhecimento rápido de uma parada cardíaca, fora do ambiente hospitalar, e RCP e desfibrilação imediatas são as respostas mais eficazes para se obter resultados positivos. Se a RCP é iniciada antes da chegada do serviço de emergência, as chances de sobrevivência da vítima aumentam drasticamente.

 

Os dados que apoiam esse postulado são extensos, mas são exemplificados por uma ampla e recente avaliação. RCP feita por leigos, antes da chegada do serviço de emergências médicas, foi analisada no estudo retrospectivo de um grupo sueco composto por mais de 31 mil pacientes, entre 1990 e 2011. Pesquisadores descobriram que a sobrevida em 30 dias aumentou de 4% para 10,9%.

RCP feita por leigos aumenta significativamente o número de sobreviventes em paradas cardíacas fora do ambiente hospitalar.

 

Mais estudos demonstraram o cenário atual com relação à comparação entre RCP feita por um socorrista antes da chegada do serviço de emergência e RCP feita com a chegada da equipe profissional. Quando se analisa uma tabela comparativa de potenciais ressuscitações bem-sucedidas de fibrilação ventricular ou outros ritmos anormais, incluindo retorno espontâneo da circulação, sobrevivência até ser dada a entrada em um hospital e sobrevivência até o recebimento da alta, todos os dados favorecem fortemente a RCP feita por leigos (64% vs. 49%; 63% vs. 47%; 49% vs. 28%, respectivamente).

 

Desde 1980 tem sido repetidamente mostrado em estudos que a primeira RCP é crucial. No condado de King, Washington, pesquisadores examinaram o resultado de 244 paradas cardíacas testemunhadas, avaliando o tempo de início da RCP e de início da desfibrilação; a mortalidade aumentava em 3% para cada minuto que se demorava para iniciar a RCP e 4% para cada minuto até o primeiro choque.

 

O período de tempo entre o acionamento do serviço de emergência até que o primeiro socorrista esteja ao lado da vítima está sujeito a muitas variáveis, mas a maioria dos sistemas de emergência tenta projetar um tempo de resposta de 6 a 8 minutos, com uma confiabilidade de 90% (Dados EUA). A estimativa de seis minutos provavelmente deriva da janela de tempo da possível sobrevivência entre um ataque cardíaco fora do hospital e a tentativa de conseguir que alguém atenda ao chamado nesse intervalo crítico. Uma melhoria do serviço de emergência para providenciar resposta mais rápida em casos de ataque cardíaco fora do hospital – que se trata de uma porção pequena do volume de chamada nos sistemas dos serviços de emergência – não é viável ou desejável.

 

Na primavera de 2014, o Corpo de Bombeiros de Anchorage mudou completamente o método de envio de ajuda para um sistema de Despacho Baseado em Critérios, do Condado de King, Washington. Apesar de haver socorristas bem treinados que aderiam ao protocolo, alcançar o tempo desejado era dificultado pelo antigo método de despacho. Dentre as novas mudanças estava um método simplificado de interrogar a pessoa que fez a ligação, assim obtendo rapidamente as respostas para duas perguntas de grande importância, bem como a confirmação da identidade de quem ligou e o endereço da ocorrência. “A pessoa está consciente e alerta?” e “Ela está respirando normalmente?” são as perguntas feitas, e se a resposta para ambas for “não”, o atendente orienta quem está na linha a iniciar a RCP. Em outras palavras, “Não-Não: Comece a RCP”. Esse método provou melhorar significativamente os resultados para esses casos. A taxa de RCP feita por leigos em Anchorage também melhorou com essa mudança.

 

RCP por telecomunicação mostrou-se ser uma intervenção eficaz quando estudada nos Estados Unidos e em outros países. Há oportunidades para melhorar o reconhecimento público de RCP e o tempo de chamada do serviço de emergência até a primeira compressão. Há uma extensa pesquisa de apoio, mas talvez a mais poderosa seja as “Estratégias para melhorar a sobrevivência em parada cardíaca, um momento para agir” da Academia Nacional de Ciências, na qual a segunda grande recomendação foi: “Melhore o desempenho do sistema de emergências médicas com ênfase em RCP assistida por atendente ao telefone e RCP de alto desempenho.

 

As recomendações devem ser incorporadas como a base fundamental para quaisquer protocolos sobre Ressuscitação Cardiopulmonar de alta performance, incluindo:

  • RCP por telecomunicação é obrigatória nos serviços de emergências médicas.

  • RCP Só-Compressões.

  • Adotar padrões de procedimento.

 

Dado as informações, como os serviços públicos e privados estão preparados para ensinar um leigo via telefone a aplicar RCP Só-Compressões?

 

Leia na íntegra o artigo de Michael Levy.

 

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